Tenho isto escrito há uns tempos, mas por um ou outro motivo, não o pus ainda aqui.. vai desta...
Declaração de Principio: Não posso dizer que estou “à rasca”... Tenho uma situação profissional “estável”, tenho até, possivelmente, uma situação profissional que alguns considerariam priveligiada. Estou numa área profissional onde tenho razoáveis perspectivas, mesmo que a minha situação profissional actual se altere.
Então se tudo isto é verdade, porque me considero tão parte de uma “geração à rasca” que insisti em marcar presença na Av. da Liberdade no passado dia 12 de Março??
- Porque vejo amigos meus de infância a terem de emigrar para ter trabalho a ganhar mais de 600€...
- Porque vejo amigos meus que se licenciaram em gestão, comunicação social, línguas, direito, em cursos que abrem nas universidades “porque sim”, sem um critério do “porque se abre esse curso, sem que se articulem os cursos que existem, com as necessidades das empresas, e que acabam a trabalhar no supermercado, ou nas obras, ou nem nessas áreas conseguem emprego, porque são “sobre-qualificados”...
- Porque vejo amigos meus que há 12 anos estão a trabalhar no mesmo sitio, em instituições tuteladas pelo estado, violador primeiro das suas leis, a trabalhar a recibos verdes, e sem perspectivas de alguma vez lhes fazerem um contrato...
- Porque vejo amigos meus há 8 anos a trabalhar no mesmo local, em instituições tuteladas pelo estado, violador primeiro das suas leis, a trabalhar a contratos de 3 meses, renováveis por 3 meses, durante 4 desses anos, e que lhes dizem que terão de lhes baixar o ordenado (leia-se, tirar da escala de turnos...) se invocarem o estatuto de trabalhador estudante para irem fazer uns examezitos e irem a umas aulas de laboratório...
- Porque vejo as instituições do Estado, tantas e tantas vezes, adjudicarem sem critério, apenas porque sim, e deixarem os pagamentos para quando calha... levando empresas a, ou irem à falência, ou cobrarem à cabeça valores com os juros incluídos, aumentando a despesa pública, ou fazendo com que quem seja despedido tenha de ser apoiado por contribuições sociais... ou seja, em ambos os casos paga o Zé Povinho... e os políticos que se dedicam a estas actividades, nem mencionados são...
- Porque vejo a justiça em Portugal punir com cortes no plafond dos telemóveis e cortes de ordenado os juízes que se atrevem a falar contra os “powers that are”...
- Porque vejo uma ausência de transparência de tal ordem que chega a ser impressionante... e toda a gente a acha normal...
- Porque vejo gente a ser contratada porque “tu sabes quem é o marido/primo/tio/irmão/pai (ou os seus correspondentes femininos) dela(e) não sabes?”, em vez de pelo seu mérito...
- Porque não vejo jamais, o tráfego de influências que grassa neste país a ser punido, mesmo quando toda a gente sabe que ele existe.
- Porque vejo serem sempre os mesmos a pagar... e são sempre aqueles que não se sujeitam a ter um cartão de um qualquer partido, ou que tenham a sorte de um familiar que lhes facilite a entrada no clube do Factor C(unha)... (do qual há tão poucos exemplos, que já lhe arranjaram um nome...)
- Porque quando é para reduzir salários ao “Zé Povinho”, vejo deputados que fizeram essa proposta a votar contra a redução dos seus próprios salários...
- Porque quando se fala em reduzir despesas, nunca se fala em comprar carros mais modestos para os membros do Governo, em reduzir o número de assessores, em reduzir os pareceres externos, passando aos advogados empregados nos serviços públicos um atestado de incompetência a quem o estado emprega (que até pode ser verdade, com tantos “amigos, tios, sobrinhos, e outros “boys” que estão na máquina do estado...!), por valores principescos...!
- Porque quando se fala de os Senhores Deputados viajarem na Europa (e porque raio só na Europa???) em Turística em vez de em 1ª classe, se insurgem suas Exas como se fosse um crime, mas não têm pejo em congelar (e taxar) reformas de 185€...!
- Para ver um cartaz, em pleno Rossio, onde se lia “As putas ao poder, que os filhos já lá estão”...
- Para ver um cartaz onde se lia “Pelo meu filho de 20 anos, que não tem futuro neste país”...
- Porque para o primeiro ministro deste país, a Chanceler Alemã deve saber primeiro das suas intenções que os portugueses a quem, alegadamente, representa...
- Porque vejo as empresas, que prestam serviços ao estado (assim mesmo, com letra pequena...) a facturar, a pagar o IVA no máximo nos 3 meses seguintes, e o estado a levá-las à falência porque apenas lhes paga daí a um ou dois anos...
- E porque se as empresas exigirem os juros a que têm direito, à taxa legal, sabe de antemão que jamais voltarão a prestar serviços a essas entidades do "estado"...
Restaurem, nos Restauradores, a Democracia neste pobre (sobretudo de espirito) país à beira mar plantado.
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